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Arquivo da categoria ‘Alan Pauls’

Perene

“A memória era a garantia, a única. Todo o resto era ar ou pó, e cedo ou tarde estava fadado a extinguir-se.” Alan Pauls

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“Mas voltar a recordar era a chave do voltar verdadeiro, a pedra fundamental, tudo – do mesmo modo que se desligar da memória, perder ou protelar lembrançs, deixar escoar ou esquecer eram a chave, o princípio, o modelo de toda perda e desaparecimento. e não era assim, no fundo, que o excesso de amor costumava [...]

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Exagero

“Amar em excesso não podia dar certo.” Alan Pauls

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“Não, não estava voltando para uma casa, nem para o amor de uma mulher, nem mesmo para um passado – porque a casa e o amor de uma mulher e mesmo o passado nunca são totalmente imunes à ação do tempo.” Alan Pauls

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“(…) por uma profissão de fé animista já familiar para Rímini, de que a roupa, assim como os objetos pessoais em geral, e principalmente os lugares, levava as marcas das circunstâncias nas quais fora usada e, marcada, retinha, dessas circunstâncias, uma espécie de aura mágica que parecia ficar arquivada, em estado de latência, e que [...]

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“Mas importava quando? Se o passado era esse mar polido, regular, sem limites visiveis (…)” Alan Pauls

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“E enquanto começava a pensar que talvez isso explicasse a sorte catastrófica da verdade humana – isso: não o fato de que não houvesse verdade, como sustentavam muitos, mas o fato de que a verdade vinha sempre fora de hora, quando o enigma a que dava resposta já fora esquecido, e jamais caía nas mãos [...]

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” No entanto, como toda força sem motor, a inércia dá lugar a movimentos sub-reptícios, tremores que surgem, fazem-se sentir por um momento e recolhem-se ao silêncio, até que o estímulo casual que os convocou se repete e eles reaparecem, num ciclo cujas sequências, tomadas cada uma em si mesma, individualmente, nunca chegam a mudar [...]

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“(…) fazia a sua parte, o que para um convalescente não era ruim. Não tentava ir mais longe; não queria acrescentar nem conseguir nada. Não esperava de Nancy nada que ela mesma não decidisse dar ou pedir.” Alan Pauls

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“O outono é um esboço do inverno que se avizinha.” Alan Pauls

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Onipresença

“Estava ali. Sua contribuição era a disponibilidade e tinha o dom, raríssimo, aliás, do invisível e do casual. Era quase uma tautologia: para estar ali, Rímini não precisava fazer nada, nada que não fosse estar ali. E o extraordinário era que para que essa dádiva chegasse a seu destino – e, diferentemente das dádivas em [...]

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Fixação

“(…) contemplava, e pelo simples fato de contemplá-la, de estar ali, não só compreendia sua nudez como a abrigava, aliviando, ainda que somente durante o intervalo de tempo frenético do coito, o frio glacial que devia fazer em seu reino.” Alan Pauls

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“(…) antes se deixava arrastar, delegando à inércia as decisões que nem ele nem seu corpo ousavam tomar, agora, de algum modo, assumia suas responsabilidades.” Alan Pauls

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“A pergunta é: o que importa mais, o homem que está sozinho e que espera, ou o que o faz esperar, o que o fará esperar mais do que espera, o que talvez o deixe esperando para sempre ?” Alan Pauls

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“Assim, enquanto Rímini voltava aliviado a seu ninho de indiferença, Nancy, por sua vez, entrava num desses estados de ebulição que só passam despercebidos por aqueles que os sofrem.” Alan Pauls

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“Ninguém se separa, Rímini. As pessoas se abandonam. Essa é a verdade, a verdade verdadeira. O amor pode até ser recíproco, mas o fim do amor não, nunca. Os siameses se separam. Mas não se separam, tampouco: porque sozinhos não conseguem. Um terceiro precisa separá-los: um cirurgião, que corta pelo meio o órgão ou o [...]

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“(…) acabara ligando para ela (…) por uma necessidade pessoal muito mais urgente: queria testar sua própria invulnerablidade, testá-la não com o pensamento, para si, como já fizeram mil e uma vezes, mas diante de Sofía, na presença da única pessoa diante da qual valia a pena ostentá-la, porque era a única que podia pulverizá-la.” [...]

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Na fotografia

“Não, não olhava uma foto e dizia: ‘Isto que estou vendo aconteceu’; dizia: ‘Isto que estou vendo aconteceu e morreu, e eu sobrevivi’.” Alan Pauls

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Instante

“(…) depois de roçar Sofía com os olhos, como se não quisesse desaparecer sem levar algo dela, uma imagem na qual mais tarde, serena e sozinha, pudesse descarregar todas as perguntas que se amontoavam em sua cabeça e não conseguia formular (…)” Alan Pauls

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“Cruzaram-se e sorriram, o primeiro passo de um patético ritual de despedida: levantavam mãos que ficavam a meio caminho, concordavam com todas as frases que não diziam, ameaçavam apresentações que ninguém esperava, ruminando em questão de segundos uma variedade de estados e emoções que uma vida provavelmente não lhes bastaria para experimentar.” Alan Pauls

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“(…) sentiu que vivia em vários mundos ao mesmo tempo. Num deles, desmaiava; no outro recebia um cartãp-postal de uma ex-mulher; no outro era feliz com uma mulher ciumenta; no outro se apaixonava por uma mulher que não fazia seu tipo.” Alan Pauls

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Tic-tac

“O que lhe faltava, agora, não eram forças: era tempo. E se estava se sentindo cansado não era por ter se excedido: perdera algo – um segundo, uma hora, um ano – que não voltaria a recuperar.” Alan Pauls

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Abraço

“Teve a impressão de que seu corpo cabia inteiro entre seus braços.” Alan Pauls

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“Porque nenhum desses cristais de passado era nada ao lado da lembrança que Rímini tinha de seu próprio rosto na noite de primeira conferência, quando, cinco minutos antes de começar (…) parado na cabine de interpretação, teve o pressentimento de que Carmen não chegaria. Foi uma desolação particular, sem testemunhas, mas ficou gravada em Rímini [...]

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O amor

“Todo amor tem seu instante inaugural, seu big bang particular, que é, por definição, um começo perdido, do qual os amantes, por mais perpicazes que sejam, nunca são contemporâneos. Não há amante que não seja, na verdade, o herdeiro tardio de um instante de amor que nunca verá, capturado que ficou, e para sempre, no [...]

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“Como costumava acontecer nas paixões, que um segundo precepitam uma erosão de dias ou de anos, Rímini sofreu um duplo estremecimento: tudo lhe pareceu vertiginoso e lento ao mesmo tempo. Se a paixão é um colapso fortuito, um acontecimento tão apressado pelo tempo e pelo espaço quanto um acidente de trânsito, cuja hora e lugar [...]

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Vazio

“O silêncio era tão denso que mudara a qualidade do ar.” Alan Pauls

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Desejo

“Teve o ímpeto de deixá-lo sozinho, como se a cena fosse íntima demais para seus olhos de intruso.” Alan Pauls

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“(…) uma conversa trivial que de repente, como um avião que perde altura, entrava numa zona de vertiginosa intimidade; e também o signo astrológico, e o nome, e o título de um filme ou de um livro prediletos – todas essas coincidências pueris que irrompiam em meio ao nada e prometiam amarrá-lo, repentinamente, à vida [...]

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Drama

“O drama de todo ciumento patológico: seqüestra seu objeto de amor e o confisca do mundo, mas na solidão do cativeiro, como um colecionador louco, embeleza-o com um capricho e uma paciência de taxidermista, de modo que no final, quando o trabalho está pronto e o objeto do amor é, finalmente, a boneca deslumbrante e [...]

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